sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sobre afineios e devanins.

Um ano:
é o tempo que faz que já se faz um ano que cada um, doce parte de um grande pudim, se separou. É claro que não nos separamos por completo, cada qual levou um pedaço do pudim alheio consigo.

O que quero dizer é que, apesar de usar uma sintaxe confusa repleta de apostos e algumas metáforas, dois anos se passaram... mas o espírito feds que nos compunha ainda nos compõe. Podemos até ter perdido, para sempre, aquele cheiro de biscoito que enjoava em momentos de barriga cheia, podemos nunca mais ter comido um dogão do Elvis e nem sequer ouvir o nome 'Toninho' pelo menos uma vez depois de ter abandonado aquela famigerada escola. Que ouso dizer escola ao invés de lar, pois lar é um lugar doce, com comida gostosa e contém um pinheiro pequeno e brilhante no final do ano. (E eu tenho certeza que a comida gostosa de lá não é suficientemententente gostosa)

Muitos de nós não nos vimos mais - isso serve para a vida real ofc, estou cansado de ver no facebook um monte de gente, que fazia parte do meu cotidiano - as únicas coisas que sobraram foram as conversas que perdem um pouco de vida a cada madrugada, morrendo cada vez mais quanto maior for o tempo em relação ao ano de nossa formatura. Isso porque o assunto é limitado, uma coisa aqui do youtube, algo ali sobre matemática, uma breve discussão sobre a invasão da reitoria, jogos, JOGO - e deixe-me avisar que perdi - música e só. Já era os papos sobre a aula que teria, a aula que não teria, o professor que disse algo ou as provas. Pode parecer que não e muito, e não é mesmo, mas as mirabolantes ideias que surgiam durante esses di(tri)(poli)álogos relativos à federal são o que valiam a pena começá-los. Afinal, sentíamos-nos bem, e é isso que importa, não?

Continuamos nossas vidas, conhecemos novas pessoas, novos lugares, e talvez até nem queiramos sentir de novo aquela sensação de estar na federal - eu quero - mas continuamos com os amigos que enlaçamos, nós criamos lá uma amizade mais forte que qualquer outra que tivéssemos criado antes. Em alguns casos até mais forte que amizades criadas após. E isso importa, sabemos que temos em quem acreditar e confiar, alguém que possa nos ajudar e que aceitaria nossa ajuda.

Devaneios surgem do nada, e, mesmo sem nos recordarmos das mais diversas conversas que conversávamos, sem nos recordarmos do que a gente fazia pra passar o tempo - que por sinal passou muito depressa, poxa, três anos em um -  tenho certeza que guardamos cenas/imagens; momentos; para sempre, ou pelo menos até perder esse amor que sentimos pela dita cuja.

Enfim, entrei no meu e-mail e vi uma mensagem de dois anos atrás, ou muito perto de dois, quase lá. Veio logo uma saudade misturada a uma nostalgia, um bocado saudosista, e me alegrou. Lembrei de tudo o que se passara naquele lugarzinho legau, cujo bosque se contrasta em meio a todo o resto da cidade, cujo pátio e suas três milhões duzentos e quarenta e sete mil setecentos e dezoito bolinhas é lar de estudantes aflitos e sem rumo, professores, notícias, árvore de natal, bancos, cirandas, arte, ideias, complacência, trabalhos, notas e, é claro, pombas, cujo caracol entrega cansaço aos atrasados e diversão para os que querem curtir o último dia de aula, cujas salas mal estruturadas são capazas de transmitir fleuma durante as tardes mal acordadas, cujos paraledipídicosjsshakps do chão das ruas enfeitiçam os olhares que julgam a beleza noturna, lugar cuja existência nos faz refletir sobre sua importância.

É essa a federal que eu conheço, é a federal que eu tive, lá foi um começo; um exemplo; um arquetipo para o que me regozija, o ideal que quero para os outros lugares. Podem haver ambientes melhores, é claro, não acredito que não haja, mas foi o melhor que tive, e, por enquanto, é o melhor que tenho ao pensar em ter alguma coisa.

Sinto alegria em vez de orgulho por ter estudado lá. E me entristeço ao pensar que nem todos puderam vivenciar o mundo que lá se formou.
Sinto falta de muitas e outras coisas daquele maravilindo lugá (: